creative director, copywriter
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Para os pequenos

Rapunzenta

Era uma vez, em um reino muito distante, uma linda princesa que morava em uma torre muito alta e com apenas uma janela no meio de uma floresta.

Seu nome era Rapunzenta.

A donzela estava lá há muitos anos, pois uma bruxa malvada a sequestrara do castelo do seu pai, o rei, quando ela ainda era um bebê. Por isso Rapunzenta não sabia que era uma princesa e pensava que a feiticeira era sua mãe.

Para subir naquela torre tão alta só havia um jeito: usar um elevador movido a gás natural que estava no lado mais escondido da torre.  

Mas como o gás encanado só iria surgir uns 800 anos depois dessa história, a bruxa produzia seu próprio combustível ao alimentar Rapunzenta apenas com feijão. E quando precisava subir gritava lá de baixo para ela:

- Rapunzenta, solte os seus puns!

E assim o elevador funcionava e a feiticeira subia para levar mais um carregamento de feijão para a princesa.

Durante os longos dias em que a bruxa não estava por perto, Rapunzenta cantava para espantar a solidão. E seu canto era tão belo e gentil quanto ela. Em uma linda manhã ensolarada, a princesa cantava acompanhada pelos passarinhos quando um príncipe que passava pela floresta a ouviu.

- Que linda voz! E que cheiro horrível! Disse o príncipe.

Ele avistou a torre ao longe e tentou se aproximar, mas o fedor estava demais. Por isso deu meia volta e regressou para seu castelo. Quando chegou à cidade, lembrou-se que os boticários do reino estavam a vender máscaras por causa de uma peste terrível que se aproximava da região. Resolveu então cobrir o rosto para chegar mais perto da dona daquela voz tão bonita sem sofrer com o cheiro de pum.

Na manhã seguinte, quando retornou, o príncipe avistou uma figura sombria que gritava junto à torre:

- Rapunzenta, Rapunzenta, solte seus puns para eu subir!

E lá em cima, iluminada pelo sol, uma bela donzela de cabelos dourados apareceu à janela e trovejou seus puns de feijão para o elevador funcionar e a bruxa subir.

Ainda mais decidido a escalar a torre e conhecer a princesa, o príncipe tentava achar uma solução, pois não havia portas ou escadas para subir. Ao dar a volta na torre, descobriu o elevador escondido nos arbustos e entendeu como tudo funcionava. Subiu então em seu cavalo e cavalgou veloz para o mercado real, onde comprou toda o estoque de feijão que existia no reino.

Durante uma semana a dieta do príncipe mudou completamente. Ao invés de carne de javali, feijoada. No lugar das frutas e castanhas, feijão mexido. Sopa de feijão. Tutu à mineira. Dobradinha com feijão branco. Salada de feijão fradinho. Feijão tropeiro. E para sobremesa, doce de feijão.

Quando voltou à torre o príncipe não teve nenhum problema em fazer o elevador funcionar, subindo a uma velocidade incrível graças ao novo cardápio do castelo real. Ao ver o jovem e belo monarca sair do elevador do meio de uma grossa nuvem de traques, Rapunzenta se apaixonou perdidamente. E casaram, para a felicidade dos seus saudosos pais e união dos dois reinos.

E foram felizes para sempre após prometerem um ao outro nunca mais comer feijão.

Saul Duque